Os esforços dos Espanhóis para vencerem a rebelião portuguesa e integrarem de novo Portugal na coroa da Espanha não tinham obtido sucesso positivo e duradouro após longos anos de luta. Mas, em contrapartida, tinham dado origem a importantes reveses das suas tropas, em especial nas batalhas das Linhas de Elvas, do Ameixial e de Castelo Rodrigo.

Por isso, e aproveitando-se da circunstância de ter cessado a guerra que mantinham com a França em diversas frentes, os Espanhóis decidiram realizar um grande ataque a Portugal que pusesse finalmente termo a esta deprimente situação. Foi encarregado de chefiar a expedição o marquês de Caracena, chamado da Flandres para esse fim. Era o único grande general espanhol que a guerra da Restauração não desprestigiara ainda. Os preparativos militares incluíram a reunião de numerosas tropas oriundas de países distantes, como a Alemanha e a Suíça.

O conde de Castelo Melhor, tendo sabido destes preparativos, tomou diversas providências adequadas, como mandar contratar tropas estrangeiras e reforçar as guarnições do Alentejo, principal teatro da guerra da Restauração. Sabe-se que em Maio de 1655 se encontravam já concentrados em Estremoz cerca de 20 500 homens. Em 1 de Junho desse ano o marquês de Caracena saiu de Badajoz e no dia 7 passava o Caia.

Dois dias depois ocupava Borba, marchando em seguida para Vila Viçosa, que cercou e atacou. A praça resistiu gloriosamente às fortes investidas do exército espanhol, mas este era poderoso e conseguiu alguns êxitos importantes. A situação torna-se crítica. No dia 17 saiu de Estremoz o exército português, sob o comando do marquês de Marialva, com o objectivo de auxiliar a praça cercada. Ao saber disto, Caracena, com a maior das suas tropas, dirigiu-se ao encontro das forças portuguesas. Vieram a defrontar-se na batalha que se chamou de Montes Claros, no dia 17, na planície situada entre a serra da Vigária e a serra de Ossa, nas proximidades do Convento da Luz (concelho de Borba). A batalha, que durou cerca de sete horas, constitui uma pesada derrota para o exército espanhol, que sofreu importantes perdas – cerca de 4000 mortos, 6000 prisioneiros e 3500 cavalos. Esta vitória animou os Portugueses, que passaram à ofensiva, sem obterem contudo grandes resultados.

Em 1667 iniciaram-se as negociações para a paz, que, depois de várias vicissitudes, foi estabelecida pelo tratado de 13 de Fevereiro do ano seguinte. A Batalha de Montes Claros foi pois, como afirmou Oliveira Martins, « a vitória decisiva […] que pôs termo à guerra ».

in História de Portugal

 

Lenda da Batalha de Montes Claros