Freguesia situada nas abas de um outeiro, Rio de Moinhos dista cerca de 7 quilómetros da sede do concelho. Tem importantes jazigos de mármore de excelente qualidade.

São as célebres pedreiras de mármore azuis e brancos de Montes Claros que ornamentam tantos monumentos da Península Ibérica, como a capela-mor da Sé de Évora, o palácio de Vila Viçosa, o mosteiro do Escurial e a famosa fonte de Cibele em Madrid. O nome de Montes Claros deriva dos montes cobertos de greda que formam estas elevações.

Montes Claros é nome e local de grande notoriedade na História de Portugal. Aí e na série de alturas que rodeiam a chã, feriu-se, a 17 de Junho de 1665, durante 9 horas, a célebre Batalha de Montes Claros, em que os Portugueses, do comando do marquês de Marialva  e do conde  de Shomberg, destroçaram completamente os exércitos castelhanos. Esta nossa retumbante vitória pôs termo à cruenta invasão dirigida pelo famoso cabo-de-guerra D. Luís de Benevides, marquês de Caracena, e contribuiu decisivamente para a Paz Geral de 1668.

Em memória desse glorioso feito foi levantado, em tempo de D. Pedro II, o Padrão de Montes Claros.

A ermida foi consagrada às Almas dos milhares de vítimas que tombaram gloriosamente no campo da refrega ao serviço da pátria. Foi edificada com licença e patrocínio do mesmo D. Pedro, que para sua sustentação lhe concedeu, em 2 de Abril de 1669, a quantia de 40 mil réis. O templo teve de princípio e até meados do século do XVIII, apenas o santuário, hoje transformado em nave, e o alpendre, refeito também na época da ampliação da ermida, feita a expensas da Coroa, patrimonial do edifício e seus anexos.

As origens nacionais desta freguesia parecem remontar à fundação da sua primitiva igreja na segunda metade do século XIII. Reinava D. Afonso III ou seu filho D. Dinis, quando o cavaleiro lavrador D. Gonçalo, homem bom desconhecido nos anais da sua época mas certamente apossado e de grandes bens materiais, mandou edificar uma das mais arcaicas igrejas curadas do concelho de Borba. D. Gonçalo vir-se-ia a enterrar no templo, em 1290, numa das mais ingénuas e primitivas das tampas sepulcrais existentes em Portugal. Desse edifício gótico nada subsiste arquitectonicamente, porque reformas ulteriores, sobretudo uma realizada no século XVII, lhe imprimiram a feição presente.

A paróquia de S. Tiago de Rio de Moinhos foi um curato da apresentação do arcebispo de Évora, no termo de Estremoz. A igreja teve quatro confrarias aprovadas eclesiasticamente: S. Sacramento, Almas Santas, Nossa Senhora Socorro (1671) e Nossa Senhora do Rosário (1733).

O edifício paroquial apresenta as características populistas da arte religiosa, rural, do Alto Alentejo. Tem frontaria com empena triangular, muito singela, flanqueada por uma torre de agulha piramidal. O vestíbulo, de alvenaria, tem cinco arcadas redondas, de arcos ultrapassados, frontão decorado com cruz de mármore, e muretes assentes em três degraus.

O interior, de uma só nave, dispõe-se em planta rectangular, de cruz latina, com tecto de berço, transepto de penetrações e capela-mor de abóbada de meio canhão. Três peças de alto merecimento arqueológico, de mármore regional, e autenticam a ansiedade do templo: a lápide da fundação, a tampa tumular, presumivelmente do fundador, com estátua jacente em baixo relevo, e o cruzeiro, que esteve no adro e foi despojado da coluna, e hoje existe embebido no altar da Sagrada Família.

De fundação igualmente antiga (1407) parece ser o edifício que se viria a tornar no Convento de Nossa Senhora da Luz de Montes Claros. Pertenceu aos ermitãs da regra de S. Paulo da Pobre Vida. Ali foi a primeira sepultura da desventurada D. Leonor de Medina Sidónio, assassinada por seu marido o duque D. Jaime, nos paços de Vila Viçosa. “É tradição – diz Frei Agostinho de Santa Maria – entre os religiosos mais antigos e mais noticiosos que, quando o duque D. Jaime matara a duquesa D. Leonor, mandara pôr o caixão em que se meteu o seu corpo sobre uma mula, e sem que pessoa alguma a acompanhasse, a mandara largar; e que ela tomara o caminho de Montes Claros, e que, chegando ao Convento de Nossa Senhora da Luz, saíram os religiosos e descarregaram o caixão em que vinha o corpo, para lhe darem sepultura; e que a mula sem que ninguém a movesse nem guiasse, voltou outra vez para Vila Viçosa”. No convento há que salientar o claustro de dois andares com arcos redondos e colunas toscanas. A igreja, apesar de muito renovada, conserva o esplendor de mármore nas balaustras, nas lajes, no púlpito, no coro e nos arcos das capelas.

in Livro das Fréguesias